Voltar 02/07/2010

Hipertensão Arterial e Exercício Físico

Hipertensão Arterial e Exercício Físico

Hipertensão Arterial e Exercício Físico

 

A hipertensão arterial ou pressão alta permanece na atualidade como um dos grandes problemas de saúde pública, tanto em países desenvolvidos com em países em processo de desenvolvimento. Conforme Diretrizes da Sociedade Brasileira de Cardiologia e recomendações da Organização Mundial de Saúde, a hipertensão arterial é definida como pressão arterial sistólica igual ou acima de 140 mmHg e/ou pressão arterial diastólica igual ou acima de 90 mmHg. Segundo esses critérios estima-se que cerca de 29% da população norte-americana com 18 anos ou mais tenha hipertensão arterial. No Brasil estima-se que cerca de 15-20% dos indivíduos adultos tenham hipertensão arterial.

Exercícios são habitualmente recomendados como uma abordagem de tratamento e prevenção da hipertensão arterial, porém muitas dúvidas surgem quando uma pessoa hipertensa pretende participar de um programa regular de exercícios físicos e mais ainda quando pensa em participar de competições, seja como esportista amador ou atleta profissional. Essas dúvidas ficam ainda mais evidentes quando atletas, considerados como exemplos de boa saúde, falecem subitamente durante competições esportivas.

 

Exercícios como prevenção da hipertensão arterial

 

Indivíduos fisicamente ativos e com melhor condicionamento físico tem menor risco de desenvolver hipertensão arterial. Exercícios realizados regularmente têm efeito preventivo contra a hipertensão arterial além da atuar favoravelmente em outras doenças que são comuns nos hipertensos como obesidade, diabetes e colesterol alto.

Não é qualquer exercício que promove essa prevenção. Os exercícios conhecidos como aeróbicos (caminhadas, corridas leves, natação, hidroginástica entre vários outros), são os que mais exercem esse efeito protetor. A quantidade e o tempo de exercício realizado também são muito importantes. Os melhores resultados aparecem quando se realiza exercícios aeróbicos, como caminhadas, por 30 a 60 minutos, no mínimo três vezes por semana, embora o ideal seja diário. Quanto à intensidade o ideal é moderada, ou seja, 60 a 79% da freqüência cardíaca máxima ou 50 a 70% do consumo máximo de oxigênio.

Portanto, pessoas saudáveis com maior risco de desenvolver hipertensão, como obesos, tabagistas, diabéticos, com histórico familiar de pressão alta, encontram no exercício um modo de prevenção que deve ser associado a outros estilos de vida saudáveis como cessação do tabagismo e redução do consumo de sal e bebidas alcoólicas.

 

Exercícios como tratamento da hipertensão arterial

 

Todos os hipertensos terão benefícios ao praticar regularmente algum tipo de exercício, porém, alguns cuidados devem ser tomados antes de se iniciar um programa de exercícios para hipertensos.

Segundo as V Diretrizes Brasileiras de Hipertensão Arterial, antes de iniciarem programas regulares de exercício físico, os hipertensos devem ser submetidos à avaliação clínica especializada, exame pré-participação e recomendações médicas relacionadas aos exercícios. Um teste ergométrico ou preferencialmente teste cardiopulmonar de exercício deverá ser realizado para se determinar a freqüência cardíaca máxima, consumo máximo de oxigênio e, no caso do teste cardiopulmonar de esforço, determinação dos limiares ventilatórios. Esses testes devem ser realizados em uso da medicação habitual.

Idealmente a pressão arterial deve estar controlada e em tratamento, mas mesmo indivíduos que se encontrem com a pressão levemente alta podem iniciar exercícios. Indivíduos com hipertensão arterial estágio III (pressão arterial sistólica igual ou maior 180 mmHg e/ou pressão arterial diastólica igual ou maior que 110 mmHg) só devem iniciar um programa de exercícios após o controle da pressão.

Exercícios aeróbicos regulares são os que mais causam impacto positivo na pressão arterial, reduzindo, em média, 10 mmHg na pressão sistólica e diastólica. Embora em valores absolutos possa parecer baixos, vale lembrar que o efeito positivo do exercício sobre outras condições que aumentam o risco cardiovascular como diabetes, obesidade e colesterol alto, podem levar a uma redução de mais de 30% do risco de infarto do miocárdio.

Quanto à duração e intensidade, são as mesmas recomendadas para a prevenção, 30 a 60 minutos, no mínimo três vezes por semana, embora o ideal seja diário e 60 a 79% da freqüência cardíaca máxima ou 50 a 70% do consumo máximo de oxigênio.

 

Hipertensão arterial em atletas

 

Em razão da necessidade de boa saúde para desempenhar atividades que necessitam de alto nível de condicionamento físico, a hipertensão arterial é pouco prevalente entre atletas, sendo, em média, 50% menor que na população em geral, e quando ocorre, é mais leve e de mais fácil controle, porém em alguns subgrupos, como atletas veteranos e de raça negra a prevalência pode ser igual a da população geral.

A avaliação de um atleta hipertenso não é muito diferente da avaliação de um hipertenso não atleta. Porém alguns detalhes devem ser lembrados. Em caso de atletas, o teste cardiopulmonar de esforço é mandatório e, se apresentar uma resposta anormal da pressão arterial durante o esforço a medicação deverá ser reavaliada. Nessa avaliação será determinado o risco do atleta hipertenso, que poderá ser classificado como de baixo risco, risco intermediário, risco alto e risco muito alto.

Aqueles que durante a avaliação são considerados de risco baixo e a pressão arterial comporta-se normalmente durante o teste são elegíveis para todos os esportes.

Atletas que apresentam risco intermediário com resposta normal da pressão durante o teste são elegíveis para maioria dos esportes, excluindo aqueles que necessitam de esforço extenuante, principalmente isométricos como levantamento de peso, body building, etc.

Os atletas de baixo risco ou de risco intermediário com resposta anormal da pressão durante o teste cardiopulmonar de esforços só estarão elegíveis após o controle da pressão arterial, tanto em repouso quanto durante o esforço.

Hipertenso com risco cardiovascular alto ou muito alto não é elegível para nenhuma atividade esportiva competitiva.

 

Conclusão

 

Todos os hipertensos terão benefícios com a prática regular de exercícios. Exercícios aeróbicos, de média intensidade por 30 a 60 minutos, no mínimo três vezes por semana reduzem a pressão arterial e também auxiliam no controle de outras doenças que podem estar associadas à pressão alta. Mesmo pessoas que não são hipertensas podem reduzir a chance de apresentar a doença desde que pratiquem regularmente exercícios físicos. A avaliação pré-participação é recomendada para todos e especialmente para atletas devido a necessidade de alto nível de condicionamento físico.

Os efeitos benéficos do exercício só se manterão se houver regularidade, portanto, pratique sempre.

 

Ref. :

1 - Tratado de Cardiologia do Exercício e do Esporte, Nabil Ghorayeb, Giuseppe S. Dioguardi, Atheneu, 2007.

2 - Medicina do Esporte, Marco Martins Amatuzzi, João Gilberto Carazzato, Roca, 2004.

3 - V Diretrizes Brasileiras de Hipertensão Arterial, 2006.

 

Dr. Sandro Toledo Carvalho

CRM-PR: 19.498

 

- Especialista em Cardiologia pela Sociedade Brasileira de Cardiologia;

- Especialista em Ergometria pelo Departamento de Ergometria e Reabilitação Cardíaca da Sociedade Brasileira de Cardiologia.